Por que ainda não vemos tantas mulheres em TI?

Ao longo dos meus 10 anos de carreira em tecnologia, sempre fui uma das poucas mulheres nos ambientes que atuei. Algo ainda mais frequente na área técnica, onde já fui muitas vezes, a minha única da equipe. E isso sempre me gerou incômodo“.

Surpreendentemente, depoimentos como este ainda são muito comuns no mercado tecnológico. De acordo com o censo americano Women Making Gains in STEM Occupations but Still Underrepresented, o número de mulheres nas carreiras de ciência, tecnologia, engenharia e matemática (STEM) nos Estados Unidos aumentou de 8% (1970) para 27% em 2019.

Contudo, apesar do número de mulheres na tecnologia ter aumentado entre 1970 e 1990, ele diminuiu entre 1990 e 2019. Na contramão do mundo, a América Latina possui mais mulheres na área da tecnologia. Um estudo da consultoria KPMG em parceria com Harvey Nash, revelou que as mulheres já ocupam 16% dos empregos de alta tecnologia na América Latina; a média mundial é de 11%.

Percebemos que ainda não houve mudanças significativas no número de mulheres nas áreas técnicas, e é realmente estranho que, mesmo em 2022, as pessoas não se questionem por qual motivo ainda vemos poucas delas atuando nestas áreas.

Nos últimos anos, aumentou o número de programas destinados a incentivar meninas e mulheres jovens a se envolverem em STEM (science, technology, engineering, and mathematics). Além de serem publicados inúmeros artigos sobre “Mulheres em TECH”, surgiram também muitos clubes, mentorias, hackathons destinados exclusivamente às mulheres. Mas, mesmo com tudo isso, os números continuam baixos.

Podemos ver estatísticas que dizem que as mulheres estão fazendo aulas de STEM, se formando com diplomas de STEM ou recebendo certificados de estudo, mas nem todas permanecem em seus campos de escolha.

Estamos fazendo o suficiente para ajudar as mulheres a permanecerem no mercado depois de toda essa dedicação aos estudos tecnológicos?

Infelizmente, parece que a resposta para essa pergunta é não: provavelmente não estamos fazendo o suficiente para ajudar as mulheres a permanecerem no campo da tecnologia, depois de saírem de um ambiente educacional.

Vemos relatos de muitas mulheres que passam por algumas situações desagradáveis no ambiente de trabalho: Algumas optam pelo silêncio; outras, optam por sair do emprego, após terem pedidos de equiparação salarial negados – mesmo tendo colegas homens que nem possuíam diploma. Não importa se elas têm duplo diploma no Brasil e no exterior, se têm mais tempo de carreira, ainda ganham significativamente menos que seus colegas.

Em outro relato, encontramos o caso de uma colaboradora que fez treinamentos para se tornar líder de projeto, escreveu a proposta em inglês, apresentou tecnicamente o cenário, porém, o stakeholder que cuidava do trabalho pediu abertamente que o líder fosse homem.

São casos assim, que infelizmente não são raros, que fazem com que a evasão feminina seja alta em TI.

Então, o que mais se pode fazer para apoiar as mulheres?

Algumas formas de incentivar a retenção de mulheres no mercado de TI vão desde processos de contratação justos, livres de preconceito e discriminação, a um ambiente receptivo às mulheres. Ter gestores homens como aliados também ajuda a dar mais espaço à elas, e por aliados pode-se dizer por homens que atuem ativamente a favor das mulheres.

O exemplo do stakeholder que pediu um homem como líder é uma situação onde a omissão do gerente, juntamente com a empresa, desvaloriza a atuação das mulheres como líderes e perpetua a cultura do silêncio sobre assuntos incômodos. Questionar esse tipo de pedido é importante, pois demonstra ética e respeito as mulheres no ambiente de trabalho.

A GFT tem como diferencial não só esses pontos, mas também o espaço oferecido para que as mulheres tenham voz e incentivem as mudanças organizacionais em prol de um espaço de trabalho cada vez menos desigual.

Desde 2019, a GFT Brasil conta com o Integra, um comitê de Diversidade e Inclusão que tem como propósito promover a cultura inclusiva por meio da construção de um ambiente plural, que valoriza a diversidade e amplia a representatividade de mulheres, pessoas negras, com deficiência e/ou LGBTQIA+.

Por isso, neste dia 8 de março, celebramos as iniciativas da GFT pela valorização das mulheres no mercado de TI. Concluímos dizendo: “Podem nos dar flores, mas também nos deem oportunidades justas de trabalho”.

 

Referências:

https://www.census.gov/library/stories/2021/01/women-making-gains-in-stem-occupations-but-still-underrepresented.html

https://inforchannel.com.br/2021/12/04/aumenta-o-numero-de-mulheres-em-ambiente-tecnologico-mas-ainda-esta-longe-de-ser-o-ideal/

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