GreenCoding também é acessibilidade

O aquecimento global é um fenômeno climático que influencia a forma como vivemos e nos relacionamos com o planeta. A indústria de desenvolvimento de softwares tem se mobilizado para produzir soluções eficientes com o intuito de reduzir os impactos do setor no meio ambiente e a prática GreenCoding, aplicada pela GFT, é um exemplo disso. Aqui, na Terça Tech, já compartilhamos algumas boas práticas para plataformas mais “green”, com dicas para criação de códigos de desperdício zero que reduzem o consumo de energia e diminuem a pegada de carbono das plataformas.

Mas o que isso tem a ver com acessibilidade?

Antes de tudo, é fundamental entender que acessibilidade vai muito além de uma interface. Inclusão tem por objetivo diluir barreiras, sejam elas visuais, físicas, sociais ou cognitivas. Falar de acessibilidade é falar sobre como vamos integrar pessoas na realização de uma atividade, produto ou serviço, garantindo que todas tenham as mesmas possibilidades de interagir.

Atualmente, mais de 1 bilhão de pessoas no mundo vivem com alguma limitação. São pessoas com diferentes graus de privações, temporárias ou permanentes, e não estamos citando apenas dificuldades motoras, visuais ou auditivas como: daltonismo, baixa visão, sensibilidade a luz, limitações de movimento que surgem com a idade ou acidentes. Pensar na acessibilidade é levar em conta, também, aspectos culturais, sociais e econômicos, por exemplo, que podem dificultar o acesso à tecnologia.

Toda semana, milhões de pessoas ingressam na web pela primeira vez na vida. São os chamados NBU (Next Billion users), usuários com características de conexões desafiadoras. Segundo o site Google Next Billion Users, plataforma fomentada pela Google para estudar os hábitos desses novos usuários. Calcula-se que até 2025, mais de um bilhão de pessoas irão entrar para o mundo digital. E esses novos usuários vêm de todos os lugares do mundo, principalmente de países como: Índia, México, Nigéria, África do Sul, Vietnã e Brasil.

Quais são os desafios destes novos usuários e como o Green Coding entra nessa história? 

É importante ressaltar que há vários fatores que interferem na acessibilidade desses novos usuários como, por exemplo, a alfabetização digital e geral, que devem ser levados em consideração na realização dos projetos. Aqui, vamos destacar duas particularidades e como a prática GreenCoding colabora com a acessibilidade.

O custo é um fator relevante quando falamos desses novos usuários. Preços de smartphones e pacote de dados mais acessíveis permitem que esses novos usuários façam parte do mundo digital, porém tendem a possuir restrições como: espaço de armazenamento e processadores limitados. Telefones celulares com pouco RAM, por exemplo, podem carregar páginas da web mais lentamente e o usuário pode ter problemas ao tentar navegar e baixar arquivos.

Com o GreenCoding, fazemos códigos mais eficientes e evitamos métodos que consomem mais processamento. Nele, todo código é escrito com foco no desempenho da aplicação. Além de diminuir a pegada de carbono, criamos aplicações mais eficazes para modelos de aparelhos menos elaborados.

Além disso, muitos usuários podem não ter uma conexão estável com a internet. Isso porque possuem pacotes de dados reduzidos ou uma cobertura de rede inconstante. Esses usuários precisam de um carregamento mais leve das páginas e ações simples, e a otimização de imagens são bastante eficazes na economia de recurso de banda.

Quando priorizamos a acessibilidade como um parâmetro essencial, não estamos somente promovendo a inclusão, mas também estamos gerando valor e beneficiando todos os usuários da web por meio de parâmetros que privilegiam uma abordagem à programação mais eficiente e ambientalmente sustentável. Segundo um levantamento feito pela The Economist Intelligence Unit em parceria com o Facebook, chamado The Inclusive Internet, o Brasil está em 31º lugar geral sobre o nível de Internet inclusiva. Por isso, concluímos que há um longo caminho a ser percorrido e a adoção dos parâmetros do GreenCoding pode gerar grandes ganhos neste sentido. 

Referências

Blog Next Billion Users

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  1. Julliermy Nunes05/01/2022

    Sim, é importante ainda mais quando falamos da inclusão de pessoas que tem acesso a tecnologias de entrada para ter acesso à informação. Cada vez mais vemos aplicativos Lite em lojas como Play Store da Google, que ocupam não só menos espaço de armazenamento nos aparelhos que são instalados, como exigem muito menos hardware em geral como também menos dados de internet pra serem usados. Adorei o artigo!