Futuro do trabalho: de quem é essa responsabilidade?


Os jovens de todo mundo estudam, em média, mais anos do que qualquer outra geração, mas isso não implica em melhores posições dentro do mercado de trabalho. Ao contrário, eles enfrentam grandes dificuldades para iniciar suas jornadas profissionais e também para relacionar o que aprenderam durante todo o período escolar. Além disso, há outro problema: muitos apostam em profissões que serão robotizadas no futuro, provocadas pelo avanço da tecnologia. 

Este cenário foi revelado no relatório  ‘“Emprego dos Sonhos”, pela  OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) durante o Forum Econômico Mundial 2020. No levantamento foram ouvidos mais de 600 mil jovens de 15 anos em 79 países, incluindo o Brasil. Apesar de a pesquisa não revelar quais as profissões serão afetadas pela transformação digital, o estudo mostra que 39% dos trabalhos que foram citados pelos alunos poderão ser automatizados durante os próximos 10 anos. 

De acordo com o mesmo conteúdo,  mais de 96 profissões do futuro poderão criar mais de 6 milhões de novas oportunidades de trabalho até 2022. Me questiono bastante sobre a necessidade de fazer mais investimentos para o futuro do trabalho, tanto no âmbito de competências e habilidades como dos estímulos dentro das empresas e nas universidades.

Cenário brasileiro 

Em um contexto em que 52% das empresas brasileiras têm dificuldades para preencher vagas em áreas como tecnologia da informação, matemática e negócios, este é um grande momento para refletirmos sobre a responsabilidade social do futuro dotrabalho.  

Atualmente, o país conta com mais de 13 milhões de desempregados, conforme os últimos dados divulgados pelo IBGE. Desse total, quanto estão sem empregos e foram para informalidade por falta de oportunidades e desenvolvimento? Quantos possuem talento nas áreas que mais sofrem pela ausência de profissionais, porém não têm capacitação? 

O problema do do Brasil está na base da educação. Países como a Finlândia, Japão e China despontam nos índices de aprendizagem com auxílio de novas tecnologias, que aceleram o processo de conhecimento por meio de uma cultura cada vez mais digital. A Finlândia, por exemplo, atingiu 94% de índice de alfabetização há um século e meio, coloca 6% de seu PIB em educação. O valor do investimento no país por estudante é quatro vezes maior do que ao aluno brasileiro. 

Uma habilidades para o futuro é, sem dúvida, a alfabetização digital, com iniciativas como o Letramento em Programação, do Instituto Ayrton Senna, que promove a educação integral por meio do pensamento computacional e das linguagens de programação. O projeto  já capacitou mais de 3 mil estudantes de escolas públicas desde o seu lançamento, em 2015. 

A pandemia, obviamente, nos acendeu um alerta para a necessidade de dinamizar processos e ter mais estrutura para trabalhar no ambiente digital. Devemos estar preparados para atuar neste novo modelo, com cada vez mais agilidade. As profissões do futuro já começam a fazer parte do agora, por isso é preciso um olhar cada vez mais atento para essa nova realidade. De acordo com a Brasscom (Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação), esse a transformação digital  vai movimentar R$ 465,6 bilhões até 2023.  

Boas ideias não faltam, porém é necessário unir todas essas iniciativas em um ecossistema único, que possa  atender a grande demanda da mão de obra em tecnologia da informação. Governo, ONGs, fundações, institutos, empresas, escolas técnicas e faculdades devem atuar juntos nesta missão.