Open Banking: Disrupção financeira e caminhos de monetização


O Open Banking se trata, fundamentalmente, de fazer as coisas de maneiras diferentes e requer novas ideias e abordagens pra trazer clientes

O Open Banking representa a maior transformação no mercado financeiro da atualidade. Tendo o Reino Unido na liderança do desenvolvimento de novos produtos, soluções e ecossistemas de serviços, esse novo modelo avança com força no restante da Europa, Ásia, África e aqui na América Latina.  

O que confere tanto poder ao Open Banking? Todas as suas iniciativas buscam promover a competição e melhorar a experiência do consumidor. Esse movimento contempla dados, acesso e serviços: a possibilidade de compartilhamento de informações promete incentivar mais inovações, encorajar o ingresso de novas empresas no mercado e muito mais.

Seu processo é facilitado pelas APIs (Interfaces de Programação de Aplicativos), tecnologia responsável pela possibilidade de compartilhar e integrar dados e serviços de forma segura. Apesar de serem utilizadas há mais de 20 anos por diversas indústrias, é só agora que as instituições financeiras passaram a perceber o potencial exponencial de sua aplicação.

Pode-se dizer que o conceito de Open Banking é diretamente associado à tecnologia de tempo real, fundamental para seu sucesso, uma vez que os dados e serviços devem ser obtidos e compartilhados (quase que) instantaneamente. Dessa forma, o progresso do Open Banking é inevitável, por permitir que os serviços bancários sejam posicionados no lugar e momento em que as pessoas precisam deles, embutidos ou não dentro de uma infinidade de novos produtos e serviços em ecossistemas digitais.

Porém existem desafios a serem enfrentados: novos competidores no mercado – as fintechs e gigantes de tecnologia (como AWS, Google, Apple, Microsoft, entre outros) – e a mudança na maneira de se gerar receita. Os bancos, agora, deixam de ser os únicos fabricantes e distribuidores de produtos financeiros, precisando avaliar suas operações internas e as mudanças externas para entender como adotar serviços alternativos em suas operações.

Caminhos de Monetização

Ainda é cedo para afirmar com certeza absoluta qual a melhor estratégia a ser adotada para gerar maior fluxo de receita com o Open Banking, porém é fato que adotar uma postura de “esperar para ver” não é uma opção viável para a sobrevivência no mercado. Uma conduta importante que os bancos devem passar a adotar cada vez mais é o atendimento das necessidades dos consumidores de maneira flexível, rápida, conveniente e barata.

Estimular uma comunidade de desenvolvedores, fintechs, startups e parceiros permitirá que bancos lancem melhores produtos e serviços mais rapidamente. Eles precisam considerar, no entanto, as suas relações com essa comunidade cuidadosamente, uma vez que os clientes irão exigir um serviço consistente, seguro e estável.

Na era do Open Banking, a jornada do consumidor é desconstruída e os produtos que os bancos oferecem podem ser desagrupados e disponibilizados diretamente por meio das APIs para startups e empresas de novos ecossistemas digitais, que com o tempo se tornarão os principais produtos oferecidos, de forma que sua comercialização implicará em novos fluxos de receitas.

Além disso, APIs podem ajudar a criar oportunidades para os bancos monetizarem em cima de suas competências essenciais e consumirem serviços de outros provedores. Elas possibilitam que bancos passem a oferecer elementos individuais, como pagamentos, prevenção à lavagem de dinheiro, detenção de fraude, entre vários outros. São novas soluções que podem ter a marca do banco ou ser comercializadas por algum parceiro de um novo ecossistema digital. O principal aqui é que as instituições entendam onde podem adicionar mais valor.

O Open Banking se trata, fundamentalmente, de fazer as coisas de maneiras diferentes e requer novas ideias e abordagens na hora de firmar parcerias para alcançar objetivos. Para qualquer banco, é crucial considerar quais APIs poderão acessar os serviços e dados de seus clientes e ser muito claro sobre o que pode ser feito com as informações coletadas, principalmente sob a vigência da lei Geral de Proteção de Dados (LGDP).

Marco Santos é Managing Director da GFT para a América Latina. Artigo publicado originalmente no Olhar Digital.