Adoção da nuvem – como realmente maximizar os benefícios


Para qualquer banco que esteja considerando uma estratégia de migração para a nuvem, a chave para o sucesso é ter um inventário de aplicações e um roadmap de como as mudanças vão ocorrer no futuro. Em ambas as áreas, os bancos parecem bem preparados.

Atualmente, apesar de os bancos estarem explorando e procurando entender as questões gerais da nuvem, eles têm feito uso limitado da nuvem privada. O uso de nuvem pública, por exemplo, é geralmente baixo entre todas as instituições financeiras, embora estas afirmem ter fortes planos de crescimento nos próximos 5 anos. Os bancos classificados como tier 2 aparecem como mais adaptáveis a essa mudança do que os tier 1.

Entre os fatores que explicam isso, temos: os bancos tier 2 não têm a mesma complexidade do legado e da tecnologia que os bancos tier , sendo mais ágeis e agressivos; além disso, alguns de seus principais aplicativos (de empresas terceiros) já estão sendo transferidos para a nuvem por fornecedores de software. No entanto, alguns bancos tier 1 (e tier 2 também) planejam migrar diretamente de sistemas legados internos para sistemas nativos da nuvem – sendo o CloudMargin um bom exemplo disso.

No mercado de nuvem pública, a Amazon domina com cerca de 33% de participação de mercado – o que representa uma fatia de mercado maior do que a de seus três maiores concorrentes juntos. No entanto, no mercado de capitais, a Microsoft lidera o caminho, seguida de perto pela Amazon e depois pela Google. Em se tratando de bancos, a IBM é a única grande player mencionada.

Como a tecnologia em nuvem está sendo usada?

No que diz respeito a como a nuvem vem sendo usada, o software como serviço (SaaS) está um pouco à frente da plataforma como um serviço (PaaS) e da infraestrutura como um serviço (IaaS). Para permitir a verdadeira transformação do estado tecnológico, a melhor maneira de mover os aplicativos para a nuvem é ‘reprojetá-los’, simplificando os processos de negócios e usando software nativo na nuvem capaz de criar melhorias rápidas.

O ‘lift and shift’ dos aplicativos e códigos existentes pode fornecer algumas melhorias no desempenho e está sendo usado para sistemas em fim de vida, enquanto os aplicativos nativos em nuvem vêm sendo utilizados para novos sistemas elasticamente redimensionáveis, e aqueles que exigem grande capacidade computacional e processamento de dados, como aprendizado de máquina e inteligência artificial.

Já as áreas funcionais da empresa vêm adotando a nuvem mais rapidamente, e como já esperado, o desenvolvimento e os testes lideram o caminho, com o front office sendo a maior área de negócios, seguida pelo risco. O risco é um dos principais candidatos à adoção antecipada, dadas as grandes exigências computacionais para gerir esta área complexa, especialmente à luz das novas demandas que serão impostas às empresas pelo novo regulamento FRTB.

Com relação aos benefícios provenientes do uso da nuvem, é lógico esperar que a redução de custos seja o objetivo principal; no entanto, ao falar com os bancos, descobrimos que, na verdade, é a flexibilidade, a capacidade e a agilidade da nuvem que parecem ser os principais impulsionadores da mudança. A flexibilidade e os recursos de uma nuvem elástica combinada com a alta capacidade computacional estão inspirando as empresas a pensar em novas formas de usar a tecnologia para transformar seus negócios. A capacidade de adicionar rapidamente poder computacional para os requisitos de front office / risco e para redimensioná-los quando não for necessário, é vista como algo particularmente útil.

Analisando os riscos e as dificuldades da adoção da nuvem, a regulamentação continua a ser uma preocupação devido à constante incerteza e consistência da abordagem adotada pelos reguladores em todo o mundo – embora a EBA tenha tentado esclarecer isso. A proteção de dados, impulsionada pelo novo regulamento GDPR na Europa, e a capacidade de ver onde os dados são armazenados também são considerados importantes. Atualmente, a segurança é uma questão ‘menor’, já que hoje em dia os bancos têm maior confiança nos fornecedores de serviços de nuvem para oferecer níveis de segurança melhores do que eles mesmos poderiam oferecer individualmente.

Numa análise prospectiva, acreditamos que o uso da nuvem pública deve se expandir rapidamente à medida que as empresas superem suas reticências e adotem os benefícios de escala, velocidade e eficiência da nuvem, com as vantagens ultrapassando quaisquer riscos ou preocupações. Adotar totalmente a nuvem envolve muitas áreas diferentes, desde maneiras novas e ágeis de trabalhar até as próprias tecnologias da nuvem nativa. Para fazer isso, os bancos estão identificando as muitas áreas em que precisarão da ajuda de provedores externos experientes para realmente maximizar os benefícios; o desafio é encontrar fornecedores que tenham a amplitude de novas habilidades necessárias.

Onde os bancos precisam de ajuda?

Geralmente, a grande maioria dos bancos possui um conhecimento de nuvem insuficiente, o que resulta em progresso lento e falta de visão para a transformação em todo o patrimônio tecnológico. As áreas em que os bancos identificam mais precisarem de ajuda incluem:

  • Os conjuntos de habilidades necessários para entregar a transformação do estado tecnológico em larga escala
  • Escassez de pessoas experientes em projetos em nuvem
  • Mudanças nos modelos operacionais (incluindo faturamento interno e gerenciamento de serviços)
  • Segurança e design de ambiente
  • Framework de adoção de nuvem pública e modelo operacional relacionado
  • Capacidade (conhecimento) geral de nuvem pública
  • Onde obter conhecimento prático em nuvem (fornecedor de nuvem, consultoria local, offshore)
  • Abordar os reguladores com sua estratégia baseada em nuvem
  • Conhecimento e entrega de contentores
  • Compreensão aprofundada dos requisitos de segurança / conformidade da nuvem compatíveis com diferentes ambientes normativos
  • Migração de aplicativos de grandes fornecedores para a nuvem (por exemplo, Murex)

Time to go ‘native’

Para que os bancos realmente maximizem os benefícios da nuvem (custos reduzidos, capacidade estendida, elasticidade e maior agilidade), os recursos da nuvem nativa devem ser aprimorados com o suporte de provedores externos. A mudança para a nuvem pública em bancos de investimento foi lenta, mas agora vemos que estes estão dispostos a abraçar a oportunidade e acelerar seus programas de transformação em nuvem. Existe agora um amplo entendimento entre os bancos de que, ao enfrentar o desafio com os parceiros certos, eles podem recuperar essa defasagem rapidamente e, finalmente, tornarem-se “nativos da nuvem”, para realmente maximizar o benefício das modernas tecnologias de nuvem.