A visão do Bank as a Platform – uma grande vitória para todos


A visão de “Bank as a Platform” (BaaP) é a ideia de que os bancos possam distribuir seus próprios produtos, e também os de terceiros, através de APIs abertas e front-ends, de forma que seus clientes possam trocar informação facilmente com vários fornecedores. Nós conversamos com Artur Serra, diretor executivo da GFT , sobre possíveis dúvidas e quais são os benefícios concretos por trás deste conceito e por que este é o momento adequado para adotar tal abordagem.

Arthur, por que os bancos deveriam considerar seriamente a abordagem Bank as a Platform agora?

Arthur Serra, Banking Executive Director da GFT

Artur: Atualmente os bancos estão enfrentando inúmeros desafios, desde baixas taxas de juros até novos concorrentes e grandes mudanças em relação às exigências dos clientes. Se eles querem sobreviver neste novo cenário, eles precisam repensar sua cadeia de valor para otimizar a competitividade, focando em seus principais pontos fortes e, ao mesmo tempo, se adaptando às novas necessidades dos clientes para mantê-los fiéis. Uma maneira de fazer isso, e possivelmente a melhor delas, é fazer com que os bancos passem de simples fornecedores de serviços financeiros para uma plataforma de serviços financeiros completa.

 

Quando você diz “focando em seus pontos fortes”, isso significa que os bancos não deveriam tentar desenvolver tudo sozinhos?

Artur: Exatamente. Os bancos devem analisar quais são e em quais áreas estão os seus pontos fortes – considerando o segmento de clientes que desejam atingir e os pontos de contato ativos. As demais áreas podem ser cobertas por meio de parcerias com outros fornecedores de serviços financeiros, proporcionando assim uma ampla gama de serviços que retratem as necessidades de cada cliente em particular.

Esta visão “mix and match” dos bancos, que podemos chamar de banco modular, permite que eles desempenhem diferentes papéis em diferentes momentos e estágios da jornada do cliente. A cadeia de valores da indústria de serviços financeiros poderia, dessa forma, ser dividida em produto, processo e varejo, tornando os bancos fabricantes de produtos, processadores de transações ou varejistas.

Confiar em terceiros não parece um movimento arriscado para uma instituição tão tradicional como um banco?

Artur: Muitas pessoas ficaram perplexas quando companhias como a Amazon, por exemplo, começaram a oferecer espaço para empresas, e possíveis concorrentes, em seus próprios servidores.  Hoje, a Amazon Web Services é um dos negócios mais rentáveis da companhia e neste sentido, eles criaram o caminho para tal conceito. Muitas empresas seguiram esse caminho e logo se tornaram a plataforma de escolha para coisas como bens de consumo, serviços de transporte ou aluguel de acomodações.

Agora imagine se os bancos seguissem um modelo similar: eles poderiam abrir serviços essenciais como autenticação de clientes, transferência de dinheiro ou de histórico de operações, em uma plataforma segura do Bank as a Platform. Isto iria beneficiar não apenas as empresas que utilizariam esses serviços, como também abriria novas fontes de receita para estes bancos também.

Bank as a Platform: o banco do futuro será aberto, modular e feito sob medida
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O que isso significa do ponto de vista de TI?

Artur: O banco do futuro será aberto, modular e feito sob medida para cada cliente. Esta abordagem requer claramente uma arquitetura de TI que também seja modular e aberta, e claro, capaz de coexistir com os sistemas bancários tradicionais. Como primeiro passo, isso significa que os bancos precisam adotar a nuvem. Além disso, outro passo importante seria mudar a arquitetura do sistema de TI de forma que seja possível não apenas trabalhar na nuvem, mas também suportar o nível de mudanças e de desempenho que uma empresa precisa em um modelo de rede, para garantir a troca de dados entre o banco e terceiros sem ruídos. 

Isso já foi feito antes?

Artur: Com certeza. Recentemente nós trabalhamos com um grupo internacional que definiu que a rota mais vantajosa para permanecer relevante no mundo digital era encontrar uma maneira segura de monetizar seus ativos e usá-los para construir um serviço para terceiros, assim como para os próprios clientes do banco. O que eles precisavam era um ambiente seguro, no qual eles pudessem desenvolver e administrar tais atividades através de uma perspectiva global. Nosso papel era trabalhar o aspecto arquitetônico do projeto. Após nove meses de trabalho e execução, o banco como plataforma estava pronto para entrar em produção. Isso ajudará a expansão dos serviços do banco em um futuro próximo.

E o que tudo isso significa para o cliente?

Artur: Para o cliente isso significa basicamente uma coisa muito importante: uma experiência muito mais confortável. Caso seu banco decida seguir com a visão do Bank as a Platform, isso significa que haverá um ecossistema construído ao redor dos principais ativos do banco; e com regras adequadas de governança e de APIs, terceiros também podem ser incorporados ao processo. Os consumidores não vão saber tudo o que está acontecendo em segundo plano, mas vão perceber que podem visualizar e interagir com suas vidas financeiras através de uma única interface. Em termos práticos, como clientes – pessoas como você e eu –, nós seremos capazes de acessar os serviços que realmente queremos, quando quisermos e no formato e no idioma da nossa preferência. Tudo através dos nossos smartphones, habilitados pelo nosso banco.

Obrigado pela entrevista, Artur!


 
Saiba mais sobre a visão de Bank as a Platform no site da GFT.