Trabalhando em ambientes multiculturais


Nos últimos anos, jovens talentos têm cada vez mais procurado oportunidades de trabalho fora do país. Para tanto, na maioria dos casos, além do diploma universitário, esses canditados também possuem muita motivação. No entanto, a fim de garantir uma comunicação adequada, é preciso que saibam também a língua do país de destino. Mas será que isso é suficiente para se dar bem em ambiente cultural diferente do nosso? Na GFT, nosso ambiente multicultural em constante crescimento nos levou a concentrar nossos esforços na conscientização sobre a importância da diferença cultural, e em como fortalecer a comunicação e quebrar as barreiras multiculturais que surgem às vezes.

Todos aqueles que já moraram em outro país, com certeza viveram muitas experiências diferentes e alguns mal-entendidos culturais, o que nos leva a uma conclusão: quando se trata de comunicar com outra cultura, não é o suficiente saber apenas o idioma local.

Se analisarmos os mal-entendidos culturais em um nível pessoal, podemos até achá-los engraçados – e mesmo anedóticos, como um aprendizado valioso, mas, de modo geral, não acarretam um impacto derradeiro em nossas vidas. No entanto, quando falamos de um mal-entendido cultural em um ambiente profissional, tais situações podem nos levar a uma negociação desastrosa, uma venda fracassada, a falta de confiança na pessoa, ou até mesmo a perda de relação de negócios com um cliente.

E o que podemos fazer para evitar essas saias-justas culturais? Poderíamos desenvolver nossas habilidades sociais nesta nova cultura, aprender se portar em uma reunião, onde e quando fazer um acordo, como se apresentar formalmente em um ambiente profissional… Estes aspectos variam de acordo com a cultura em que nos navegamos, claro; portanto, é importante conhecê-los em detalhe para garantir um bom relacionamento com outras culturas. Mas isso não é suficiente, na verdade, poderíamos até dizer que estaríamos construindo a casa pelo telhado. Para criar e fortalecer uma boa base multicultural, é preciso primeiro que conheçamos a nossa própria cultura – algo que pode parecer óbvio, mas na maioria dos casos, não é bem assim.

 Uma equipe GFT formada por profissionais de diferentes nacionalidades trabalhando em nosso escritório de Sant Cugat (Barcelona)
Uma equipe GFT formada por profissionais de diferentes nacionalidades trabalhando em nosso escritório de Sant Cugat (Barcelona)

Deixando para trás os estereótipos

De maneira geral, criamos estereótipos que, de certa forma, nos ajudam a justificar uma comunicação fracassada, como por exemplo: “Os alemães são muito sérios e diretos” ou “os ingleses são sempre politicamente corretos”. E quanto a nossa cultura, como nós somos? É importante reconhecer que estas avaliações se dão a partir de uma comparação com nossa própria cultura. Portanto, quando dizemos “os alemães são muito diretos na maneira como eles se comunicam”, o que queremos dizer é que, do ponto de vista da nossa cultura, eles são mais diretos do que nós ao se expressarem. No entanto, se um dinamarquês fizesse essa avaliação, possivelmente outro aspectos de diferença cultural seriam escolhidos.

Quando você pertence e vive em uma cultura, muitas vezes é difícil ou mesmo impossível percebê-la – Erin Meyer

De modo geral, não temos consciência de nossa própria cultura. Erin Meyer afirma em seu livro, “The Culture Map”, que as pessoas que vivem na mesma cultura só conseguem detectar diferenças regionais e mesmo individuais; no entanto, quando em contato com outra cultura, elas começam a ter consciência de sua própria singularidade coletiva.

Quando já estamos cientes das peculiaridades de nossa própria cultura, é importante que tentemos compreender, antes de agir, o ambiente cultural em que vamos nos comunicamos, delegar ou negociar. Só assim podemos garantir que nossa aventura multicultural irá se concretizar.

Quando você interage com alguém, tente ouvir mais, tente olhar além, ouvir mais e falar menos. Ouça antes de falar, aprenda antes de agir – Erin Meyer

Dentro do Grupo GFT convivem em mais de 15 culturas diferentes e, além disso, temos negócios com clientes de diversos outros países. Portanto, pensando na importância estratégica desta questão, apostamos em projetos de formação que gerem esta consciência multicultural.

Conhecendo melhor uns aos outros, refletindo sobre a forma como nos comunicamos, como nos comportamos em uma negociação ou uma apresentação, podemos encontrar o ponto de cruzamento entre culturas que nos possibilite alcançar nossos objectivos de forma satisfatória. Ou em outras palavras, se a comunicação entre duas culturas buscar o WIN-WIN, se formos capazes de empregar bem as informações que sabemos sobre a cultura alvo e a nossa, de forma a garantir um melhor entendimento entre as partes, o sucesso é certo.