Pagamento móvel do iPhone 6 abre novas oportunidades aos Bancos


O lançamento do iPhone 6 dará um novo impulso ao mercado de pagamentos móveis. Para a GFT Brasil este é o momento para os bancos e outras instituições financeiras participarem ativamente do mercado de sistemas de pagamento móvel, se adaptando de forma cooperativa e propondo abordagens padronizadas com visão de futuro.

A notícia de que a Apple iria começar a fazer uso do NFC (near-field communication) é de certo modo surpreendente, pois até agora, a empresa não tinha mostrado interesse em incorporar esta tecnologia em seus aparelhos. Esta tecnologia, na realidade, existe desde 2004 e a maioria dos aparelhos com sistema Android já vem incorporando-a desde 2011. Se por um lado a Apple vem depois de seus principais concorrentes, ela tem mais chances de ir mais longe: pois planejou uma estratégia abrangente, de não só incluir NFC em seus dispositivos, mas oferecer ferramentas, por meio de acordos com as principais bandeiras de cartões, Bancos americanos e grandes lojas de varejo, que facilitem a experiencia dos usuários.

Apple-Pay

A Apple sabe como despertar necessidades de novos produtos e serviços

A companhia já demonstrou ter um bom instinto para encontrar o momento certo para entrar em novos mercados e, ao que parece, mantém para o pagamento móvel a sua estratégia de sucesso: combinar tecnologias já comprovadas com novas funcionalidades. A tecnologia NFC não é uma inovação em si, mas combinanda com a impressão digital (Touch ID) e a cooperação com grandes bandeiras de cartão de crédito, como Visa, MasterCard e American Express, simplifica as operações de pagamento “sem contato” (touchless), que, com a facilidade de uso e o conforto proporcionado, justificam o sucesso desta solução. Além disso, a empresa sabe como tornar novos produtos e serviços alvos de desejo. Eles têm demonstrado em várias ocasiões como é possível despertar a necessidade dos clientes e como mudar o comportamento de sociedades inteiras.

O Grupo GFT já havia alertado no passado que as soluções de autenticação baseadas em PIN e TAN não tinham chance e logo seriam substituídas por tecnologias biométricas. E esta etapa está prestes a acontecer, como indica a entrada da Apple no mercado de pagamento móvel, por meio de seu sistema Apple Pay. A impressão digital é um método predominante. O reconhecimento de voz está se tornando cada vez mais importante e o escaneamento de íris de início está limitado a usos especiais.

O sistema de pagamento móvel Apple Pay funciona por meio de uma antena de rádio NFC. O usuário poderá realizar pagamentos ao aproximar seu iPhone 6  ou Apple Watch a um sensor especial e usar o TouchID (para autenticar as digitais), desse modo, não será mais necessário levar o cartão de crédito ou débito para realizar a compra – desde que o estabelecimento aceite tal tecnologia.

 A Apple afirma que não armazenará dados sobre as compras realizadas, ou seja, um histórico de pagamento, e caso o telefone seja roubado, será possível bloquear compras através do Find My iPhone. Como forma de assegurar a segurança dos dados bancários do usuário, a empresa criou recursos de segurança para que, por exemplo, o número de cartão de crédito não seja armazenado no seu aparelho ou no iCloud, e que as informações de cada pagamento sejam criptografadas.

Principais obstáculos para a empresa de Cupertino

A Apple terá de enfrentar uma concorrência séria. O Google tem mostrado, através de sua iniciativa Google Wallet, que também tem claras ambições dentro do mercado de pagamentos móveis e espera-se que continuem com suas soluções biométricas. Se por um lado isso ameaça as ambições da Apple, é interessante notar que essa rivalidade deve ajudar a melhorar a qualidade das soluções e, assim, acelerar a aceitação e implementação de pagamentos móveis.

A Apple deve continuar com sua estratégia atual e ampliar seu “universo” a partir de um sistema de pagamento móvel. E espera-se também que, no futuro, os fãs da empresa possam realizar pagamentos por meio de “carteiras virtuais”. No entanto, provavelmente não é objetivo da companhia monopolizar o setor de pagamento móvel, e sim a venda de seus produtos.

Como isso pode afetar o setor bancário brasileiro?

Com o lançamento do iPhone 6, todo o setor bancário brasileiro precisa questionar e repensar a sua posição em relação ao pagamento móvel. Agora é o momento para o setor bancário decidir se vê Apple e Google como potenciais parceiros dentro do mercado de sistemas de pagamento móvel ou como rivais. Nos Estados Unidos, por exemplo, a tendência é de cooperação, uma vez que já começaram a se posicionar neste sentido. De acordo com a cobertura da mídia, além das principais empresas de cartão de crédito, JP Morgan Chase, Citigroup, Capital One e do Bank of America, e grandes empresas varejistas (Sephora, Bloomingdales, Macy’s, Wallgreens, McDonalds e claro, Apple Store) estão “on board” em relação à solução da Apple.

Esta cooperação exige esforços conjuntos de todo o setor bancário brasileiro. A parceria com a Apple ou o Google não significa que os bancos brasileiros não possam estabelecer seus próprios desenvolvimentos para o pagamento móvel. O que se dever ter em conta é que a existência de um padrão comum para todos os bancos é algo necessário e apropriado.

Não há dúvida de que o pagamento por proximidade (touchless) também irá prevalecer no Brasil, mas a questão é quanto tempo isso levará e quais serão os obstáculos a serem enfrentados. No entanto, ainda há tempo para bancos privados, caixas econômicas e cooperativas de crédito no se adaptarem. Mas de qualquer forma, essas instituições precisariam se unir e cooperar como parceiros da Apple & Co., uma vez que suas soluções individuais têm pouca chance contra o poder de mercado de gigantes como a Apple e o Google.

 “Os bancos brasileiros não devem se concentrar demais em tecnologia, mas procurar características únicas e inovações em sua própria área de especialização em serviços financeiros. Por exemplo o pagamento móvel como parte do gerenciamento de finanças pessoais”, afirma o country managing director da GFT Brasil, Marcos Santos.

O executivo ainda comenta que o setor bancário brasileiro pode adotar um padrão comum para pagamentos móveis através de smartphones para que no futuro as soluções sejam integradas a outros elementos, como relógios, óculos e outras wearable technologies (tecnologias “vestíveis”).

É interessante notar como a Apple, Google e outras grandes empresas, devido à sua força de mercado, estão liderando e promovendo uma mudança nos sistemas de pagamentos. Assim, os bancos e outras instituições financeiras devem se posicionar em uma base uniforme para acompanhar essa maré. No entanto, é necessário tomar medidas agora, a fim de embarcar neste negócio lucrativo em tempo.

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